Pra quem não tem nada, um pouco seria mais que suficiente.



Meu coração se contraiu!
Está murcho tal qual ameixa seca,
Após esvair-se em sangue.
Oh infância! Por que fostes
e não levou consigo a sensibilidade?
Por que me permite sentir aquilo
que para outros é indolor?
Meu mundo de fantasias desmoronou
com o lençol que cobria a minha tenda,
Mostrando para mim a verdadeira face do mundo.
Rostos rudes, gestos hostis se expuseram perante a mim.
Ao invés do mel, senti o gosto do ferro,
advindo do sangue que escorria por meus lábios,
O verde das arvores que desenhava,
ganharam pequenos pontos vermelhos,
Tom natural, decorrente do sangue
que pingava dos meus ferimentos.
Um dia fugi! O sol sempre vem
me confortar depois de uma noite fria,
Mas logo depois maltrata minha pequena face.
Por que manter-me vivo?
Se até a natureza me rejeita!
Ás vezes a chuva lava meu rostinho,
O vento que balança o cabelo dos outros,
em sussurros me diz que sou igual.
Mas eles não ouvem, e como sempre estou só!
Ignorado por essa espécie racional,
porém ouvido pelo vento.
Num mundo onde apenas o meu eco
Me responde sempre com a mesma pergunta.



2 comentários:

Fernando Peltier 16 de agosto de 2012 05:37  

Muito bela e pertinente. Meus parabéns e aplausos! Precisamos mesmo de sensibilidade e respeito mútuo entre cada ser, principalmente, essas caras que estão exercendo cargos políticos que parecem animais como mula e jegue usando viseiras pra não olhar o que se passa ao lado. Abraços!

Roberto Codax 16 de agosto de 2012 14:01  

Obrigado Fernando Peltier. Na ocasião em que escrevi esta poesia havia me deparado com uma criança desamparada, pobrezinha há tão pouco tempo no mundo e tendo que provar do mais amargo gosto, que é a solidão e o abandono. Precisamos fazer nossa parte, mesmo que o que façamos não resolva o problema totalmente. Se pudermos ao menos fazê-la esquecer dos problemas por um momento e dá-la um motivo pra sorrir e com isso ao vê-la sorrindo também sorrirmos já é mais que suficiente.

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Sobre o autor

“Escrevo pela simples necessidade de sentir meus próprios sentimentos e ouvir meus pensamentos que vagam sem ressonância neste mundo de surdos. Eu escrevo pra tentar compreender a mim mesmo, não para responder questões às quais nunca saberei a resposta.(Roberto Codax)

Roberto Codax. Tecnologia do Blogger.