Sentimento Estéril






Acabou!
Ainda custo a acreditar,
Porem você me diz tão convicta
Que é difícil refutar.

Minhas certezas eram as suas dúvidas
Sua indecisão o meu tormento.
Em seus olhos podia ver nossos filhos
Sobre nós dois, tudo para ti eram momentos.

Ainda luto para vencer o amor
Que fizeste brotar em meu peito estéril.
E a dor incessante que você me traz
Não mascaro por segredo ou mistério.

Amor leviano que tanto me feriu
Rouxinol que cantava na minha janela.
Tornou-me dependente depois partiu
Levando consigo canção tão bela.

Compartilhei meu brilho com você
Levamos junto o mesmo peso
E quando a sua luz se extinguiu
Faltaram-me forças para manter-me aceso.

Roberto Codax

Guerreiro Derrotado






Veja no que me tornei, antes eu pensava
Que podia abraçar o mundo inteiro,
Porem tudo se desfez.
Momentos felizes são como algodão doce
Dissolve-se rapidamente.
Sua sensação de prazer momentâneo
Logo desaparece dando lugar ao fel.
A inércia me envolveu totalmente,
Sinto-me como guerreiro que após ser vencido
Só lhe resta entregar a espada.
A morte lhe seria a melhor saída,
No entanto ele apenas ajoelha
E derrotado aceita a sua condição de escravo.
Seu espírito o deixou... Viver nada mais é
Que a simples condição de estar vivo.
Seu coração ainda bate porque é algo adverso à sua vontade,
Mas se pudesse o faria parar.
E assim segue trabalhando sem saber o porquê,
Alimentando-se para não morrer e a única coisa que pensa
É em consumir a si mesmo.

Pra quem não tem nada, um pouco seria mais que suficiente.



Meu coração se contraiu!
Está murcho tal qual ameixa seca,
Após esvair-se em sangue.
Oh infância! Por que fostes
e não levou consigo a sensibilidade?
Por que me permite sentir aquilo
que para outros é indolor?
Meu mundo de fantasias desmoronou
com o lençol que cobria a minha tenda,
Mostrando para mim a verdadeira face do mundo.
Rostos rudes, gestos hostis se expuseram perante a mim.
Ao invés do mel, senti o gosto do ferro,
advindo do sangue que escorria por meus lábios,
O verde das arvores que desenhava,
ganharam pequenos pontos vermelhos,
Tom natural, decorrente do sangue
que pingava dos meus ferimentos.
Um dia fugi! O sol sempre vem
me confortar depois de uma noite fria,
Mas logo depois maltrata minha pequena face.
Por que manter-me vivo?
Se até a natureza me rejeita!
Ás vezes a chuva lava meu rostinho,
O vento que balança o cabelo dos outros,
em sussurros me diz que sou igual.
Mas eles não ouvem, e como sempre estou só!
Ignorado por essa espécie racional,
porém ouvido pelo vento.
Num mundo onde apenas o meu eco
Me responde sempre com a mesma pergunta.



Sobre o autor

“Escrevo pela simples necessidade de sentir meus próprios sentimentos e ouvir meus pensamentos que vagam sem ressonância neste mundo de surdos. Eu escrevo pra tentar compreender a mim mesmo, não para responder questões às quais nunca saberei a resposta.(Roberto Codax)

Roberto Codax. Tecnologia do Blogger.