O menestrel


Sei que há dias que você pensa que nada faz sentido
Sei que há dias que sentimos como se até nossa própria sombra houvesse nos deixado
Só que te peço meu bem, não pense assim, ao menos hoje não se sinta assim
O mundo hoje não irá te ferir, espera que estou vindo em sua defesa
Só te peço que seja paciente, pois meu pangaré trôpego
Não é tão rápido quanto o cavalo branco do príncipe que esperastes por toda a vida
Só te peço paciência, só um pouco de paciência querida
Pois este quixotesco errante, anseia por ser teu amante
E esteve a buscá-la quando até sua alma se encontrava desiludida
Só te peço não te enchas de esperar por este menestrel
Quem sabe um dia ele  se torna príncipe, e seu pangaré de passos lentos em um lindo corcel?
Só te peço que esperes mesmo que a ansiedade cresça, mesmo que no frio padeça em tua
Torre de perpétua solidão
Eu estarei aqui breve e embora o mundo insista em dizer que estou errado,
ninguém jamais conseguirá me fazer desistir de minha razão.

Roberto Codax

O lamento de um filho bastardo




O lamento de um filho bastardo

Ó mãe! De ti nós todos descendemos: negros, brancos e indígenas.
Por qual motivo serves unicamente a uns e menospreza a outros?
Quando nasci largou-me à própria sorte,
Enquanto aos outros envolveu em seus braços.
De ti não almejo glória, apenas um afago e proteção,
Mas por que negas a mim, o que a outros proporciona sem objeção?
Ó mãe olha teus filhos! Vê quanta dor lhes causa,
Vê o que fazem a si mesmos e quanto mal causam a seu próximo.
Meu coração está sangrando, porém não poderia eu
Continuar a ignorar o que meus olhos veem.
Deixa parte de seus filhos ao relento,
Enquanto a outros assenta em mansões.
Recobre de linho o teu escolhido e ao bastardo entrega apenas os trapos.
Permite que teus filhos tratem aos irmãos com desdém,
Quando poderia ensinar o valor do respeito para com seu próximo.
Mesmo maltratado conservo por ti o amor de um filho,
E mesmo sem teu amor por tua honra derramo meu sangue.
Só lhe peço ó pátria! Que por tal sacrifício,
Teus filhos bastardos mereçam de ti o afago
Que tu dedicas àqueles que por ti nada fazem.

Sobre o autor

“Escrevo pela simples necessidade de sentir meus próprios sentimentos e ouvir meus pensamentos que vagam sem ressonância neste mundo de surdos. Eu escrevo pra tentar compreender a mim mesmo, não para responder questões às quais nunca saberei a resposta.(Roberto Codax)

Roberto Codax. Tecnologia do Blogger.