Ilusão em tempos de guerra






Algum dia poderemos conversar,
Quando estas águas que nos separam baixarem.
Pois agora as ondas estão enormes e enfurecidas
e minha frágil canoa não resistirá à travessia.

Mas a esperança levantará a bandeira,
Sob a qual estamos reunidos nas intempéries da vida,
Ergueremos nos em meio ao fronte em busca da paz esquecida

Dos dias de outrora tão lindos, pelos homens que a conheciam,
eventos se moldavam ao amanhecer e lembranças surgiam,
em fotos desvanecidas, pelos pilares do tempo
que retratavam o nosso ultimo beijo...

Vítimas inocentes deste trágico ensejo,
alimentado pela ganância dos homens
que a vida madrasta nos oferta em breves ritos

Sem piedade, vil e nefasta nos molda
a seu bel prazer nessa carnificina
E em meio a tudo isso, apenas teu amor me anima

Quando tudo ao redor está a fenecer
menos as almas que ainda se buscam
nesse nosso intenso viver.

Roberto Codax

Não Assine O Livro Que Já Foi Escrito




Tento não dizer, minhas palavras irão ferir-te,
Mas é necessário proferi-las.
Será tão doloroso ter que dizer isso,
Quanto para você ouvi-las.

Sinto dizer que seus planos se contrapõem aos meus,
Que seu desejo se opõe à vontade que cultivo em mim.
Que o que fizer não mudará minha opinião,
Nem desfigurará a minha personalidade.

Por mais que eu tente,
Nunca conseguiremos coexistir em um mesmo universo.
Viveremos em dimensões diferentes,
 Enquanto um se impuser à vontade do outro.

E, enquanto a luz da compreensão e do respeito,
Não surgir em nossa convivência.
Viveremos separados pelo buraco negro da intolerância.

Roberto Codax

Promessas Que Não Se Cumprirão





Onde estavas quando eu precisei de ti?

Disse que não demoraria,
Pediu-me pra ser forte...

Eu fui um bom menino,
Até hoje carrego o fardo que me deu.

Quando eu me cansava e chamava por seu nome,

Os meus amigos o levavam até eu descansar,

Mas eu nunca o deixei para eles,
Isso é trabalho meu.

Eu nunca deixei que me vissem chorar

E sempre recusei a ajuda dos outros,
Isso quebraria o nosso acordo.

Só que eu falhei quando estava febril,
Fui carregado nos braços por um estranho,

Queria que você estivesse lá,
Queria abrir os olhos e vê-lo ao meu lado.

Eles furaram as minhas veias e
O soro levou tanto tempo pra acabar,

Quanto os longos anos que nos separam.

Estou cruzando o abismo que existe entre nós,
Porem tenho medo,

O tempo transformou nossos semblantes,
E enrijeceu nossos corações.

As lagrimas tentam sair,
Eu as seguro com todas as forças que ainda tenho,

No entanto elas são tão fortes
Quanto uma revoada de pássaros em uma frágil gaiola.

Pai... Não quebrarei o juramento que fiz,
Estou escalando a montanha que fica entre você e eu,

As forças estão acabando, não consigo mais subir
E estou com medo de descer.

Acho que tudo se resumirá apenas
 a promessas não cumpridas.

SEPPUKU (O ULTIMO POEMA DO SAMURAI)





Não serei para ti um fardo pesado,

Nem permitirei que se ponham contra mim.

Pai... Veja como eu sangro!


As minhas escolhas levaram-me a perambular

Num labirinto de espinhos...

Todos estes anos eu estive perdido.


Minhas vestes brancas estão vermelhas,

Porém meus punhos e tornozelos

Não serão por grilhões feridos.

Lutei a vida toda em nome da honra

E hoje por meu orgulho fui vencido...


Eu não descansarei em campos floridos

Serei jogado em terreno incerto...

Lá onde as cadelas vorazes dilaceram os pródigos

E as arvores sangram e choram o pranto dos suicidas.


Pai eu estou sangrando... Pai eu estou ferido!

E logo os meus inimigos irão me encontrar,

Não deixarei que me tomem prisioneiro

Eles não conseguirão me escravizar.


A espada que um dia me salvou

Será a arma que irá me sentenciar.

Adeus ó amigos... Adeus ó pátria

O teu filho a ti não retornará

(Seppuku)

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Sobre o autor

“Escrevo pela simples necessidade de sentir meus próprios sentimentos e ouvir meus pensamentos que vagam sem ressonância neste mundo de surdos. Eu escrevo pra tentar compreender a mim mesmo, não para responder questões às quais nunca saberei a resposta.(Roberto Codax)

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